<%@LANGUAGE="JAVASCRIPT" CODEPAGE="1252"%> Perto do Coração Selvagem

Terça-feira, Abril 19, 2005


Se tudo pode acontecer...

...pois é... anda acontecendo! Os últimos dias foram repletos de coisas boas e ruins. Beijei, abracei, amei e fui amado nas esquinas e ruas desse lugar tão louco. De onde vem esse meu fascínio por São Paulo? Nem eu entendo... as caixas já estão quase todas fechadas, as malas também... mas dentro delas, temo, vai tão pouco de mim! Acho que parte fica, né?

Perdão pela mágoa que te causei. Sei que feri você fundo, mas foi totalmente sem intenção, embora isso não sirva como desculpa. Nem quero. É só pra ficar registrado. Ainda estou indignado com minha falta de sensibilidade. Mais uma vez fui desatento com você e seus sentimentos.

Tô com várias marcas no meu corpo e nenhuma foi feita por quem eu desejo. Ainda lembro... lembro tanto que chega a doer. De você em Botafogo, de você em mim, das coisas que se desfazem, do meu caminho torto pelos desejos vazios. Vendi as várias peças que comprei para aquilo que seria "a nossa casa".

Também tô sem internet faz semanas... e nem tenho sentido grande falta. Vivo tanto todo dia que vez-em-quando dói, outras vezes assusta.

Me liga novamente. Adoro ouvir sua voz sussurada no meu ouvido. Adivinho você tentando adivinhar as coisas e percebo que nossos mundos ainda vão se esbarrar... num quarto, num bar, numa galeria.

Lembrando Clarice: me ensina a comprar um buraco?

Coração na boca:

Sexta-feira, Abril 01, 2005


Meus queridos,

esse post teria um título, não fosse ele também uma espécie de recado, bilhete... o título? O título seria o último verso de uma antiga canção de Maysa: "eu que aprenda a levantar...", pois é. Estou aprendendo. Já respiro novamente o ar deliciosamente poluído de Sampa e me prepapro para, talvez, a mais difícil missão dos últimos cinco anos: desmontar o cenário que serviu de pano de fundo para tantos dramas e comédias.

O meu lindo apartamento da Haddock, com amplas janelas que se abrem para as árvores de copas altíssimas, será entregue em trinta dias. Os que conhecem (e muitos que passam por aqui já o conhecem) sabem bem do que falo. Não se trata apenas de uma morada, um teto, um abrigo. Trata-se da perfeita tradução de vários estados de espírito que se repetiram ao longo desse tempo. Trata dos cheiros de alguns corpos que ficaram impregnados em móveis, tapetes e até no chão de madeira que tanto gosto...

Ele começa a ser desmontado, posto em caixas. E eu em pedaços. Uma amiga ontem disse o mais certo: catando os restos de um naufrágio almejado, sim, sim, um naufrágio prenunciado por mim mesmo. Quando o último amor acabou foi-se junto o sonho daquela família-perfeita-de-comercial-de-margarina... todos já viram uma dessas, não? Pois é... eu queria brincar de casinha a dois e percebi agora, sozinho novamente, que esse tipo de sonho mora dentro de nós e não numa casa, num apartamento.

Por isso vou partir, andar... sabe-se lá onde chego. Primeiro porto: o Nordeste. Ajuste de contas com o passado. Depois? Depois acho que o mundo ou alguns pedacinhos dele, já que ele é enorme e eu sou apenas uma formiga (ou uma barata como diria Clarice?). Não vou me dizer mais, aqui, nesse post. Apenas pedir para tentar encontrar os visitantes fiéis desse blog que ainda não tive a oportunidade de abraçar pessoalmente. Seria uma honra levar comigo mais um cheiro, mais um fragmento, mais um retrato a ser fotografado pela minha memória mais fiel: a afetiva.

beijos a todos,

Guiu

Coração na boca:

 

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