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Terça-feira, Junho 28, 2005
Em dias de profunda tristeza, costuma-se tomar chá de três ervas calmantes, adoçado com mel de abelha. Abafar com um pano limpo, branco... deixar esfriar um pouco! Em dias de profunda tristeza, tenta-se entender os rumos absurdos, as noites insones, o grito abafado. Por que tão quente? Por que tão vazio?
Na entrada, gérberas e hortências se mostram plenas nesse inverno equatorial... a mãe padece de males antigos, os filhos se agarram a fantasias. O mais velho se fecha. O navio segue na parede azul com vocação de mar. Onde andam teus olhos nessa cidade desgarrada do mundo? Vida e morte, vida e morte... manchando as páginas do jornal.
Na madrugada, Hanna chega cansada e se encolhe, tosse e reclama da umidade. Fala das ausências de Martin. Não gosta de domingos, assim como eu. Parece que o tempo voltou. Novamente editor, professor, consultor... novamente preso. E essa sensação absurda de zumbido, de incômodo, de padecimento...
P.S.: em dias assim, dá vontade de pegar a estrada. Sair do país, da vida inventada... ir ao encontro de quê?
Coração
na boca:
Sábado, Junho 25, 2005
..."como o silêncio, ao contrário"...
Coração
na boca:
Sexta-feira, Junho 03, 2005
Os dragões (de fato) não conhecem o paraíso...
Dia amanhece estranho na terra do sol. O gato sorrateiro se recupera dos ferimentos, lambe a ferida (como você mandou!). Ontem tive um pouco de febre durante a madrugada (prenúncio desse dia morno, sem vento, com ar cansado?). Esse dia parece um doente em fase de recuperação: pálido, tosse seca, vontade de levantar da cama e abrir as janelas. Segue em frente, dia...
Aqui, de onde escrevo, uma janela se abre para um pequeno jardim (capricho de mãe que adora mimo-do-céu, flor nordestina cujas pétalas lembram um coração fechado). Lacre. Quando vou encontrar a nova chave? O gato chega mais perto. E lembro trecho do poema de Marianne Moore: "...de vez em quando sente prazer na solidão..." (o gato). Tenho redescoberto verdadeiras pérolas literárias, abrindo as caixas da mudança...
Ah!!! Quase esqueci: o quarto está lindo, fica pronto em uma semana! Azul-da-cor-do-mar em uma das paredes, estante imensa, cama larga, lençóis novos (os que ainda trazem o teu cheiro estão guardados em uma nova caixa, bem maior e cada vez mais revisitada -penso que vou chorar menos daqui por diante e lembrar de nossas músicas com mais paz e menos dor)!
Hoje confirmei que minha terra tem palmeiras... tem sim! Aqui mesmo, no jardim de minha mãe, existem duas, imensas...
P.S.: voltei a trabalhar! Ritmo intenso, principalmente aqui dentro, onde as idéias se atropelam de tão excitadas. Voltar a ser repórter, acompanhar jornal e telejornal diários, os três horários preenchidos com muita adrenalina... tudo isso me faz crer que estou na rota certa!
Coração
na boca:
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