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Segunda-feira, Setembro 26, 2005
Ele voltou!
Depois de quatro dias, magro e abatido. Miando de fome e sedento por carinhos. A casa inteira sorri, todos aliviados.
Obrigado por tanto carinho: aqui, nos scraps, nos e-mails, telefonemas e pessoalmente! Eu não vou esquecer isso!
Coração
na boca:
Sexta-feira, Setembro 23, 2005
Depois de um dia inteiro de buscas, perdi o chão. O Dengo sumiu desde ontem pela manhã. O gato que fazia parte da minha vida há um ano desapareceu da casa de minha mãe, onde estamos morando há quatro meses. Ele sumiu ou foi roubado por culpa minha. Estou tão perdido em meus problemas que mal tinha tempo pra lhe fazer um carinho (como era de hábito, desde que nos apaixonamos em Salvador e eu movi céus e terras para levá-lo comigo para São Paulo). Não sei o que fazer. Não nesse momento. Tô confuso e triste, como se isso fosse um sinal de que alguma coisa está muito errada comigo. O meu gatinho mais-que-querido sumiu e eu tento adivinhar seu destino, revejo fotos, percebo o quanto ele me marcou e também às pessoas que conviveram com ele através de mim. Ele foi testemunha de um amor tão bonito. Foi presença constante nas alegrias e nas tristezas, nas chegadas e partidas. Eu não sei o que fazer agora. Não sei mesmo.
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Acho que foi no prólogo do Elogio da Sombra, que Borges escreveu: "a verdade é que ninguém pode ferir-nos, salvo aqueles que amamos". Penso que decepção é sinônimo de idealização. Mas nesses últimos meses as mágoas se acumulam. Nunca fiquei tão triste com pessoas que verdadeiramente amo como agora. Deve ser uma fase. Acredito nisso. Mas por enquanto é em dor que se converte certas fontes que jamais haviam secado. Tudo que eu queria agora era um tempo. Apenas um tempo.
Coração
na boca:
Terça-feira, Setembro 13, 2005
Ana C. tinha mania de, vez-em-quando, revirar gavetas de guardados para encontrar coisas que tinham ficado para trás. Li isso numa das cartas do volume "Correspondência Incompleta". Eu desde criança adoro remexer em gavetas e caixas onde vou depositando boa parte de mim. Como escrevi hoje, a um amigo, aqui a primavera chega repleta de pequenas flores brejeiras que brotam em tudo quanto é lugar. E de mil zumbidos de insetos que habitam o jardinzinho que envolve a casa da minha mãe (parece uma casinha de bruxa-dos-contos-de-fadas). Pois bem, o clima é úmido e tudo me leva a lembrar cenas de filmes (sabe aquele despertar de "As luzes de um verão"? Ao som de "Pale blue eyes", do Velvet?), em manhãs assim tento não entrar no clima retrô, mas não vejo como... me sinto quase obrigado a abrir caixas e gavetas e com isso surgem as lembranças... a manhã de hoje foi assim: esquisita. Rememorar para não morrer. Como se algo fosse acontecer... e aconteceu.
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A história dos quatro bem que poderia estar num filme. Há 20 anos ou mais nos conhecemos. Tínhamos então 15, 16... terminamos o colégio juntos, fizemos faculdade juntos (ou quase...) e a vida cuidou de nos separar. Faz quase cinco anos que não vivíamos na mesma cidade. São Paulo, França, Sertão e Litoral... hoje estamos reunidos novamente. Os quatro. Casamentos, separações, filhos, ausência de filhos, amores difíceis e outros nem tanto. Apesar de não ser a mesma coisa, a sensação é de que tudo está do mesmo jeito entre nós. "Nossa velha amizade é assim...", cheia de nobreza... por isso nos amamos tanto, com todas as diferenças.
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O seu telefonema apressado me deu conta da passagem do tempo. Me vi numa extensa plataforma de trem, anos 40... a luz intensa e âmbar quebrava a monotonia de mais um outono no hemisfério norte. Plantei a foto no centro do livro e logo pensei em te avisar do abismo, mas não deu. É que invisto em distâncias. Isso deve explicar a ânsia por correspondências. O espaço que sobrou para nós é imenso. Eu te disse. Confie.
Coração
na boca:
Sexta-feira, Setembro 09, 2005
O Livro dos Amantes
IX
Pusemos tanto azul nessa distância
ancorada em incerta claridade
e ficamos nas paredes do vento
a escorrer para tudo o que ele invade.
Pusemos tantas flores nas horas breves
que secam folhas nas árvores dos dedos.
E ficamos cingidos nas estátuas
a morder-nos na carne dum segredo.
Natália Correia
P.S.: conheci a poesia de Natália Correia durante um show da Bethania, há anos. Desde então, sempre que posso, procuro textos da poeta portuguesa: intensa, viva, apaixonada!
Coração
na boca:
Terça-feira, Setembro 06, 2005
Yes, mais uma vez os fantasmas vencem uma realidade doce. Sim, sim... vcs sempre vencem, queridos! Amores do passado são entidades sem-fins-lucrativos que acabam ferrando os desavisados. Quase fiz um mal terrível a quem só queria me fazer o bem. O que incomoda é minha incapacidade de driblar a carência-sem-fim, que acaba me levando a não segurar a onda... não, não... nunca foi minha intenção magoar! Por isso me sinto um filho-da-puta nesse instante! Ai, que agonia... o bom de tudo é que ainda me reconheço. Canto alto na mesa do bar, arranco um sorriso lá do fundo e me reinvento. Por isso, enxugo a lágrima do rosto, esqueço o domingo, aprendo com a segunda e começo a terça achando que tudo isso faz parte do jogo... que gire a roda...
P.S.: fui convidado a colaborar num site que acho bem legal. E topei. Quem tiver a fim de ler mais um devaneio meu clique aqui. Sou o "genérico" da semana. Me pediram para falar sobre patriotismo, mas eu só sei falar de amor e dor!
Coração
na boca:
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