<%@LANGUAGE="JAVASCRIPT" CODEPAGE="1252"%> Perto do Coração Selvagem

Terça-feira, Novembro 29, 2005



Imagem: Paula Rego


Ausência de mágica

Eu nunca havia sentido tanto medo.

Coração na boca:

Sexta-feira, Novembro 25, 2005


Eu, aqui, sem você...

Ele foi embora, vítima de um infarto fulminante. João, meu Palhacinho Bocudo. Foi domingo passado, e eu culpado pela noite de amor dormente. Ele morto. Hoje fiz nosso percurso sentimental na memória... antes do carnaval... quando vc sorriu e disse: -vamos ser pra sempre, Guiu! E eu não entendi... teu coração selvagem parou de bater e eu sem saber quem sou!!! Perder um amigo é confundir o mapa, embaralhar as cartas... é... perder o chão...

P.S.: dias confusos. Tudo vai ficar bem...

Coração na boca:

Domingo, Novembro 20, 2005


Junkie (again)

Ok, ok... é meu último fim de semana aqui, mas eu precisava ter chutado o pau da barraca daquele jeito? Certo, você não tá entendendo nada. Nem eu. É que despedida em barzinho não combina com carnaval-fora-de-época, que não combina com DR no meio da folia (dois meses depois do fim do namoro) e ainda encontros e desencontros com pessoas que eu não via há uma eternidade...

Balanço? Não queiram saber... mas no fim da noite ter conhecido você fez tudo mais valer a pena, viu?

P.S.: não se perca de mim, não se esqueça de mim, não desapareça...

Coração na boca:

Terça-feira, Novembro 15, 2005




COMING

I am coming! I am coming!
I am coming through!
Coming across the divide to you
In this moment of unity
Feeling an ecstasy
To be here, to be now
At last I am free
Yes at last, at last
To be free of the past
And of a future that beckons me

I am coming! I am coming!
Here I am!
Neither a woman, nor a man
We are joined, we are one
With a human face
We are joined, we are one
With a human face
I am on earth
And I am in outer space
I am being born and I am dying

(Sally Potter/Jimmy Somerville/David Motion)

P.S.: música da trilha de Orlando, filme baseado na obra de Virginia Woolf. É só o que ouço nos últimos dias!!!!!

Coração na boca:

Sexta-feira, Novembro 11, 2005


Paraísos artificiais

Aí eu falei quase-na-lata: -se você me decifrar eu te devoro. A figura deve ter ficado com tanto medo que parou imediatamente de ler minha mão. É que cada um deve seguir seu caminho, baby...

Mas, retomando o post anterior: fracassei não. Apenas não consigo ficar esperando o próximo trem. Quero entrar no primeiro vagão que passa, me dando a chance de pular. Explosão (adoro essa rubrica no texto de A Hora da Estrela). As explosões de Macabéa guiam o caminho, com sua luz difusa e incompreensível (e parodiando, de novo, pra quê entendimento?).

Começo a me despedir da cidade. Exatos seis meses e não fui uma única vez à praia. Contemplar o mar sim. Mas praia, sol, areia e turistas não. A cidade é linda. A família foi, na medida do possível, acolhedora. Mas transformei meu quarto em paraíso artificial: ar-condicionado gelado, edredon, caneca de chá, vela, livros, livros, cds, cds, sonhos espalhados sobre a cama... meus dramas, minhas risadas. Tudo derramado e solto, tímido-espalhafatoso, assim mesmo como sou.

Começo a arrumar a mochila. Penso em levar pouca coisa. Resolvi conservar o quarto de parede azul que me lembra céu (medo de ser expulso [de vez] do paraíso?). Mas quando lembro da seleção de cds e livros que vão seguir comigo me vejo entre cruzes e espadas, numa autêntica "escolha de Sofia".

Também descobri que duas amigas queridas estão grávidas, outra morreu e eu só fiquei sabendo meses depois e uma pessoa que amo muito decidiu passar um tempo na Europa... enquanto isso, eu sem grana pra comprar a passagem que vai me levar de volta ao lar...

Pois é. Sou viciado nisso. Na roda que gira e me joga sempre para outros lugares, situações, pessoas. Ontem, quando recebi o e-mail dele falando do freela no caderno de cultura que tanto curto, alucinei de vez... amanhã tem oficina (acho que vai ser bem legal!) e depois dias inteiros de doces despedidas...

Coração na boca:

Domingo, Novembro 06, 2005


Ontem tentei andar de moto com você e novamente não consegui. Tento me comunicar em inglês ou espanhol, mas também não chegamos a um entendimento lógico. Engordei dez quilos, vou pedir demissão novamente, vou embora novamente. Estou sempre parti(n)do. E o lindo quarto daqui, com parede azul? Ouço o Rodrigo cantando "Sentimental", do Bloco (CD que amo tanto). E ele pergunta "-quem é mais sentimental que eu?"... falei com vc ontem no telefone. Parecia tão perto. Quase toquei seu rosto. Mas ainda fico puto com essas distâncias geográficas. Vez-em-quando sou tão pele, carne, osso, pescoço!!!

...

Turco. Ele é turco, o homem que não me deixa dormir desde ontem. Chama-se Nazim Hikmet e teria completado cem anos em 2002, caso tivesse sobrevivido ao caos do século XX. Eu avisei, eu avisei... vez-em-quando surto. E você, ontem, apenas sorria no telefone e perguntava: -quando você vai embora mesmo? Vamos nos ver uma última vez? -e eu, quase blasé: -sim, claro, despedidas...

...

Se a gente abre a janela, a primavera pode mesmo entrar? Não sei, meninos barbudos... estou fechado pra balanço, fazendo cena em mesa de bar, brigando com os chefes, querendo fazer a revolução de maio em pleno novembro... e nunca fui tão adolescente, sem eira-nem-beira, sem dinheiro na poupança, casaco de general ou qualquer medalha que me leve ao pódium...

...

Fracassei?


Trilha do post: Love Will Tear Us Apart - Joy Division

Coração na boca:

Quarta-feira, Novembro 02, 2005





Senhor das abelhas,
faz com que eu
decore as falas
corretamente,
faz com que eu não erre
a marcação
na hora da cena

(é que ainda sofro com o
recuo súbito da trama)

faz com que eu me iluda
fácil
pensando que é em mim
que lembra cada vez
que abre a janela ou a
porta do armário...

Senhor das abelhas,
faz com que, ao abrir a janela
ou a porta do armário,
encontre em mim
a novidade

(nada impede, porém,
que eu diga até à morte:
-nunca acreditei de verdade).


*a imagem é da Brígida Baltar: Bee House - 2002

Coração na boca:

 

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