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Quarta-feira, Fevereiro 15, 2006
Comecei a ler Jane Austen muito jovem, influenciado por minha mãe, que não tinha a menor idéia de quem era a escritora (da mesma forma que as irmãs Brontë, que também conheci aos 15 ou 16 anos)... quando li Orgulho e Preconceito criei fantasias a respeito das impossibilidades do amor (mas também da promessa de final feliz). Na mesma época, conheci você. Certo, não tivemos o tal final dito feliz, mas vivemos momentos de ternura inquestionáveis.
Falo isso porque ando antigo, com pensamentos que vagam em outros tempos e espaços, mas sem qualquer angústia, peso ou excesso de dor. Revejo personagens, encaro as tramas e concluo: tudo que aconteceu acabou me formando, construindo, pedra sobre pedra, fragmento amoroso. Vendo o filme inglês essa semana, percebi o quanto de voluntarioso fui tantas vezes, outras me perdi na autocomplacência e ainda teve a arrogância, a falta de sensibilidade, as cores fortes do drama.
Ao mesmo tempo não me arrependo de nada. Quase vinte anos envolvido em cenas criadas por mim, sem direção. Pano de fundo de uma história maior que eu. Hoje lembro de tuas mãos firmes tocando as minhas, de leve. Recordo o violão, os planos de futuro, o receio de não dar conta de tantas fantasias. Sigamos em frente. "O primeiro amor passou, o segundo amor passou, o terceiro amor passou... mas o coração continua..."
P.S.: sim, sou excessivamente romântico, nunca te contaram isso?
Coração
na boca:
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