<%@LANGUAGE="JAVASCRIPT" CODEPAGE="1252"%> Perto do Coração Selvagem

Terça-feira, Março 21, 2006


Asas para voar. Ele pensou e saiu apressado abrindo caminho entre as gentes. O ninho é lindo e entre revistas e livros que vão ajudar a transformar quarenta e poucos metros quadrados num lar, ele respira. Parede azul? Móvel branco no quarto e o teu retrato? Aquele do quase-sorriso vai caber perto do meu? Sim, quase sempre meu riso é aberto. Mas também sou triste, baby... padeço de insônias e dores de dente tal qual Macabéa...

Sim, as Perdizes... bairro lindo de viver, perto, bem perto... e tem aquele frio na barriga de ficar novamente sem um tostão... e dessa vez sem emprego, sem rede de proteção... e falta fôlego e sobra emoção e o teu beijo fica suspenso por fios de naylon invisíveis bem acima da minha cabeça... sem som, sem TV, sem vontade de gritar... vez-em-quando canto baixinho... Paulinho da Viola vem quase sempre à cabeça... assim como pops açucarados de outros tempos e quintais.

Mudo em uma semana. E a dor de dente me consome e os medos atropelam e aquela fome (de viver?) surge como que avisando a emergência de certas coisas. Alguém que não é gentil, outro alguém que não percebe o passarinho com bilhete no bico anunciando boas novas.

A cozinha, que agora é minha, recebe sol, tem claridade... quero flores na janela...

Coração na boca:

Sexta-feira, Março 03, 2006


Caminho pela tal rua estrangeira de novo! Dessa vez é noite, focos de luz aqui e ali, sombras, muitas sombras. De repente o barulho de uma moto e o tiro. Acordo como sempre assustado, procuro em vão a luz na cabeceira, esqueço que ainda moro num flat (nada mais impessoal, penso alto).

Os dois dias que se seguiram à viagem de carnaval foram assim: enxaqueca, solidão, pesadelos e muito pra definir... a verdade é que nem sei por onde começar. Fico pensando em Reinaldo Moraes e no seu Tanto Faz (livro recém-lido, apresentado por M., que como sempre me revela preciosidades).

O cara escreve de maneira original-sensual-despudorada sem cair no vazio, sem ser fácil, sem... viro na cama relendo alguns trechos do beat brasileiro, abro a janela, olho pro quarto: pilhas de roupa suja. Revejo as fotos... miro nosso abraço cúmplice, segredos de liquidificador perpetuados na fotografia. Rio Preto Mon Amour...

O carnaval foi de folias íntimas, que me fez pensar no passado de uma outra perspectiva, sem excessos de zelo. Nada como continuar vivendo: livre, aberto pro novo, pronto pra encarar as porradas que ainda estão por vir. Não fui criado para ser exato... por isso mesmo navego feito argonauta nesse mar, coração!

Penso em você, fico com saudade, ouço Caetano de Lua e Estrela e fico te procurando com o violão... bela lembrança antes do pôr-do-sol. Agora preciso curar essa enxaqueca (parece desculpa do corpo para os sucessivos adiamentos de tantas batalhas), encontrar o ap, deixar o flat, segurar a onda dos devaneios e pairar calmo nesse porto... por enquanto!

Coração na boca:

 

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