|
Quarta-feira, Maio 31, 2006
História de uma gata
Enriquez - Bardotti - Chico Buarque/1977
Me alimentaram
Me acariciaram
Me aliciaram
Me acostumaram
O meu mundo era o apartamento
Detefon, almofada e trato
Todo dia filé-mignon
Ou mesmo um bom filé...de gato
Me diziam, todo momento
Fique em casa, não tome vento
Mas é duro ficar na sua
Quando à luz da lua
Tantos gatos pela rua
Toda a noite vão cantando assim
Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás
De manhã eu voltei pra casa
Fui barrada na portaria
Sem filé e sem almofada
Por causa da cantoria
Mas agora o meu dia-a-dia
É no meio da gataria
Pela rua virando lata
Eu sou mais eu, mais gata
Numa louca serenata
Que de noite sai cantando assim
Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás
P.S.: tudo que eu preciso hoje é lembrar que tive infância...
Coração
na boca:
Sexta-feira, Maio 19, 2006
Álbum de Figurinhas
Você já fez parte disso tudo... penso enquanto descasco as batatas para o jantar. As caixas espalhadas pelo apartamento e o frio de outono entrando pelas frestas da janela lembram outros tempos. Dias de fúria por fora e uma sensação de desamparo por dentro, desde que soube da triste notícia de doença na família.
A cidade vive o pavor de si mesma. Por que tão grande? Por que tão desigual? A doença chegou de repente, sem avisar, sem...
Já a mudança veio num caminhão enorme: livros, filmes, CDs, panelas, taças, lembranças, beijos roubados junto a frases escritas com pressa em guardanapos. E o inusitado: álbuns de figurinhas incompletos. Escaparam da infância e se esconderam na caixa das reminiscências, ao lado de cadernos do primário e agendas do segundo grau.
As batatas para o jantar estão na pia, na água corrente. Vão para o forno com sal grosso e alecrim, vão para o forno com vontades... esperam por sua boca, sua fome, seu retorno. Na cozinha, entre carícias e vinho, cozinhamos e trocamos olhares ternos.
É que em meio às confusões armadas pelo destino, tivemos ganhos nos últimos meses. Cama em desalinho, chinelos idênticos dispostos lado a lado, escovas de dente juntinhas na pia do banheiro. Indícios de uma cumplicidade que se firma com o tempo, em fogo brando... você agora faz parte disso tudo.
Coração
na boca:
Terça-feira, Maio 09, 2006
Filmes dos Anos 80
1) Blade Runner (82), Ridley Scott
2) Paris-Texas (84), Wim Wenders
3) Veludo Azul (86), David Lynch
4) Fanny e Alexander (82), Ingmar Bergman
5) Faça a Coisa Certa (89), Spike Lee
6) Asas do Desejo (87), Wim Wenders
7) Bagda Café (88), Percy Adlon
8) Touro Indomável (80), Martin Scorsese
9) Noturno Indiano (89), Alain Corneau
10) Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (88), Almodóvar
11) A Festa de Babette (87), Gabriel Axel
12) A Hora da Estrela (85), Suzana Amaral
13) A Rosa Púrpura do Cairo (85), Woody Allen
14) Conta Comigo (86), Rob Reiner
15) O Iluminado (80), Stanley Kubrick
16) Drugstore Cowboy (89), Gust Van Sant
17) Não Matarás, Krzysztóf Kieslowski
18) ET, o Extra-Terrestre (82), Steven Spielberg
19) O Selvagem da Motocicleta (83), Francis Ford Coppola
20) Ran (85), Akira Kurosawa
A lista foi feita para o ranking da Liga dos Blogs Cinematográficos, da qual faço parte, e inclui filmes que me marcaram afetivamente. Lógico que muitos vão sentir falta de ícones inquestionáveis da época. Mas aqui estão listados apenas alguns filmes que fazem parte da minha história de vida, sem qualquer pretensão de apontar os melhores da década. Agora é aguardar o resultado final no blog oficial da Liga.
Coração
na boca:
|