<%@LANGUAGE="JAVASCRIPT" CODEPAGE="1252"%> Perto do Coração Selvagem

Terça-feira, Outubro 31, 2006





Peito Vazio
Cartola e Elton Medeiros

Nada consigo fazer
Quando a saudade aperta
Foge-me a inspiração
Sinto a alma deserta
Um vazio se faz em meu peito
E de fato eu sinto
Em meu peito um vazio
Me faltando as tuas carícias
As noites são longas
E eu sinto mais frio.
Procuro afogar no álcool
A tua lembrança
Mas noto que é ridícula
A minha vingança
Vou seguir os conselhos
De amigos
E garanto que não beberei
Nunca mais
E com o tempo
Essa imensa saudade que sinto
Se esvai

Coração na boca:

Terça-feira, Outubro 24, 2006


Dispersos

Dizem que é mera ilusão, mas quando aperto sua mão nos mergulhos profundos tudo faz sentido.

Aí ela falou da vontade de fazer diferente e ele passou a entender melhor de começos.

Em torno da mesa, pacificados, lançam "encantamentos para o futuro", resquícios da poesia russa.

O corpo dança, relaxa, o cinza avança, mas a música de dentro (rara) ecoa buscando ocupar espaços vazios.

Quando o real se impõe e a vida se vai, resta o retalho de sol que se avista pelo rasgo da cortina.

A beleza feneceu no quadro, sem despedidas.

Ainda mirando o véu secreto da moça, o outro segue.

Acredita nos finais dos ciclos secos, desenha um amarelo no ar, que "nenhum adeus pode apagar".

Coração na boca:

Domingo, Outubro 15, 2006


E eu que não gostava do cheiro de cigarro adoro quando o seu cola na minha roupa, retina, espaços. É isso... o teu cheiro no espaço do meu corpo, deixando rastros, pedacinhos de mim e de você nas manhãs de sol e nas de chuva também. Nas longas caminhadas pela cidade vazia, perdendo tempo com a beleza das casas-com-jardim desse bairro tão família... sonhando com, vivendo sem, estabelecendo limites brancos, entre margens.

Na Liberdade, libertos, quase mágicos.

Sim, eu quero!

Coração na boca:

Segunda-feira, Outubro 09, 2006




Cariocas

Eles não gostam de dias nublados. Mas, mesmo quando o sol-astro-rei-do-cenário não está presente, recebem como ninguém (ainda vejo lampejos das asas de minha anfitriã-fada). Os últimos dias no Rio de Janeiro renovaram minha paixão pela cidade-das-maravilhas (de tantas Alices e coelhos brancos e rainhas de copas e gatos de sorrisos enigmáticos).

E minha mãe pediu para não procurar a dor. E a dor não veio, nem atravessou as canções interpretadas sob as estrelas do Planetário ou na noite branca da Lagoa.

E os afetos foram renovados e mais afetos conquistados... sintonias instantâneas (como a provocada pelo moço dos filmes, da poesia, de tanto coração)... sem falar daqueles com quem só pude conversar pelo telefone.

Botafogo, Santa Teresa, Urca, Humaitá, Gávea... dessa vez não vi sequer Copacabana, Ipanema, Leblon. Não carecia, não nessa primeira ida-pós-dois-anos de uma ausência registrada por quem me quer bem e me sentiu de novo perto (né, amigas?).

Certezas de que o Rio de Janeiro continua vivo.

Em tempo: a imagem que ilustra o post é do encarte do CD déjà-vu, do Metrô... sempre tão intensamente carioca, mesmo nublado.

Coração na boca:

Segunda-feira, Outubro 02, 2006


Tá combinado
Caetano Veloso


Então tá combinado, é quase nada
É tudo somente sexo e amizade
Não tem nenhum engano nem mistério
É tudo só brincadeira e verdade

Podemos ver o mundo juntos
Sermos dois e sermos muitos
Nos sabermos sós sem estarmos sós
Abrirmos a cabeça para que afinal
Floresça o mais que humano em nós

Então tá tudo dito
E é tão bonito
E eu acredito num claro futuro
De música, ternura e aventura
Pro equilibrista em cima do muro

Mas e se o amor pra nós chegar
De nós, de algum lugar
Com todo o seu tenebroso esplendor?
Mas e se o amor já está
Se há muito tempo que chegou e só nos enganou?

Então não fale nada
Apague a estrada
Que seu caminhar já desenhou
Porque toda razão, toda palavra
Vale nada quando chega o amor


P.S.: e, dessa forma, vamos seguindo. O fim de semana foi sereno, com nossas sensibilidades em sintonia. Voltamos ao vinho, ao fogão, aos olhares cúmplices e ao aconchego dos abraços. Mas sem pressa, sem cobrança, sem fantasias desnecessárias. E isso não significa que fomos áridos. Tudo passa a ter uma leveza, uma liberdade que nos permite vislumbrar lampejos de maturidade.

Quero continuar acreditando nos territórios conquistados pelo afeto, mas sem perder de vista os navios. Eles nos permitem partir e também voltar quando sentimos saudades. Talvez seja esse o segredo: jamais esquecer o desejo da descoberta, mesmo sabendo que vez-em-quando ancorar é preciso. Então... tá combinado.

Coração na boca:

 

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