<%@LANGUAGE="JAVASCRIPT" CODEPAGE="1252"%> Perto do Coração Selvagem

Sábado, Fevereiro 10, 2007


A dor (e a alegria) dos outros

No nordeste do Brasil, o sol brilha o ano inteiro. As pessoas são calorosas, ternas, apegadas aos abraços e aos afagos, mesmo em corredores do SUS, onde filas de espera por uma consulta podem demorar mais de 16 horas. Apesar dos males pessoais (minha guerra particular não encontra espaço para batalhas de confetes e serpentinas), acho interessante ouvir relatos de enfermeiras, maqueiros e até pacientes (mesmo em situação tão precária) sobre as fantasias que vão exibir nos blocos e trios elétricos pela orla da cidade.

Essa terra é assim. Sorri sempre, mesmo na dor. E isso vai nos ajudando a encarar as eventuais derrotas com mais leveza e serenidade. Se os resultados dos exames não são dos melhores, procuramos um jeito de comemorar o quilo a mais, conquistado na última semana, que deixou o organismo mais forte para a quimioterapia. E assim vamos em frente, entre o sim e o não, entre marchinhas e canções (às vezes tristes) que tocam no rádio do carro, assoviando conforme a música...

P.S.: no mesmo campo de batalha em que meu sobrinho trava sua luta, uma prima-irmã também dá provas de valentia. Com uma garra impressionante e contando com o apoio fundamental de uma escudeira incansável, ela contraria as previsões pessimistas e segue renascendo todas as manhãs. Por isso que eu, com todas as minhas subjetividades, medos invisíveis e tristezas indomáveis, ando maturando calado no lado de cá dessa árvore... e muitas vezes me pego sorrindo, mesmo chorando.

Coração na boca:

Terça-feira, Fevereiro 06, 2007


Jura secreta

O primeiro susto levou os dois pra cama após uma única taça de vinho. Claro que as mãos se esbarraram distraídas na rua, no metrô, no supermercado (onde compraram o tal vinho). Lógico que os olhares trocados na galeria de arte já adivinhavam aquela cumplicidade física. Mas lá, no meio dos devaneios, um pensava que não dava. O outro queria. Ouviram música antiga, falaram coisas simples e outras mais complexas. Seguindo a trilha do desejo, se entregaram no chão da sala de forma tão bonita que dava gosto de ver. Depois do ato consumado, abraçados, sorrisos nos lábios, não fizeram planos, promessas ou declarações de amor. Muitas vezes um vaso deixado com carinho ao relento gera árvore que cresce até chegar no céu. E, dizem, todo céu de alguma forma sempre protege.

Coração na boca:

 

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