<%@LANGUAGE="JAVASCRIPT" CODEPAGE="1252"%> Perto do Coração Selvagem

Domingo, Março 25, 2007


Sei que me embriago fácil. Mas de uma coisa eu tenho certeza:

não quero deitar-me contigo.
E também renego sentir-me agredido por tantas culpas.

A imagem de Nossa Senhora foi roubada da casa velha.

(Lembra? Aquela Nossa Senhora, toda branca, de
louça vagabunda que ficava no jardim da sua avó?).

Não quero deitar-me contigo, mas também não quero que
me julguem. Vou voltar a dormir agora. Silêncio.

P.S.: ao som de "When I Fall in Love" (Heyman-Young), por Chet Baker

Coração na boca:

Quinta-feira, Março 22, 2007


Manhã de outono em São Paulo. Retorno e tento não forçar explicações para tudo que aconteceu nos últimos dois meses. As perdas são sempre complexas. A morte então deixa vácuos que vez-em-quando surgem do nada e nos exigem tanto. Abri o ap sem qualquer intenção de continuar nele por muito tempo. Na verdade tenho a estranha sensação de que essa casa nunca foi minha (e foi a única que comprei de fato).

...

Não quero lembrar dos momentos de dor. Prefiro recordar que você se foi a partir dos meus braços. Se desligou desse mundo olhando pra mim, falando palavras desconexas, mas de alguma forma já livres do sofrimento. Isso é impactante, mas sereno ao mesmo tempo. Mortes prematuras são sempre assim: estranhas. "Assim parece ser". Você foi cedo demais, mas o período no hospital nos deixou importantes legados: generosidade, compaixão, cuidado com o outro (aquele que não sou eu, mas que se reflete em mim). Tua coragem na guerra nos pôs em vigília por dias e dias. E desse modo entendi melhor o sentido dessa aventura toda em torno do próprio eixo...

...

Outono cinza nessa manhã típica de São Paulo. Volto e acabo de lembrar que preciso cultivar uma planta aqui nessa casa tão carente de viço. Os passarinhos continuam a cantar desafiando o som dos carros que passam nas avenidas mais próximas. As coisas ainda não têm cor. Mas tua inspiração me faz lembrar a cada momento que continuar é preciso...

Tudo passa? Não. Concordo agora com Missail Poloznev, personagem de Tchekhov: nada passa.

Coração na boca:

 

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