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Segunda-feira, Maio 21, 2007
Eternal sunshine of the spotless mind
- E se você ficasse dessa vez?
Coração
na boca:
Terça-feira, Maio 15, 2007
My Dear,
eu já não quero mais contar a você o que acontece no meu dia. Também não tenho tido a menor necessidade de lembrar aqueles tempos de cumplicidade. Mas hoje, quando passei em frente ao seu prédio, me deu vontade de parar o carro, a rua, a multidão que se aglomerava quanto mais próximo eu chegava da Paulista.
Não tenho certeza do que eu faria em seguida, caso seguisse o devaneio e, num impulso, tocasse a campainha do teu apartamento. Acho que pensaria numa desculpa qualquer, tipo você-ficou-com-aquele-meu-livro-do-Caio-de-capa-sépia? Só pra depois sorrir sem graça e esperar de volta um outro riso sem graça, com aquelas covinhas que tanto me fizeram bem.
Depois eu diria mais uma vez: adeus, até outro dia, estranho como hoje. Um dia em que talvez eu não tenha que surtar, no meio do trânsito, para te ver sorrir de novo pra mim. Um dia em que eu não precise dessas imagens em slow motion ou dessa trilha sonora lembrada ao acaso (quase sem querer?).
Mas não aconteceu nada disso. O carro, a rua e a multidão seguiram tranqüilamente seu curso, assim como eu, que nos últimos meses venho "sonhando contigo cada vez mais raramente". É com certo alívio que me vejo com outros interesses, abrindo portas, janelas, escalando pequenos muros que se colocavam no meio do caminho.
Isso não significa cura definitiva. Claro que não. Meu exagero e minha vocação para o drama continuam invioláveis. Mas a regeneração dos tecidos e dos sentidos vem acontecendo de forma cada vez mais rápida. Não somos mais tão crianças, não é mesmo? Ontem lembrei quase sem dor do último bilhete que você deixou sobre a mesa, antes do fim: "vamos jantar hoje no La Tartine? Tô com saudade de ver sua cara feliz diante daquela sobremesa"... um bilhete evocando doces e saudades.
Deixa estar.
Coração
na boca:
Quinta-feira, Maio 10, 2007
"E é inútil procurar encurtar caminho e querer começar já sabendo que a voz diz pouco, já começando por ser despessoal. Pois existe a trajetória, e a trajetória não é apenas um modo de ir. A trajetória somos nós mesmos. Em matéria de viver, nunca se pode chegar antes. A via-crucis não é um descaminho, é a passagem única, não se chega senão através dela e com ela. A insistência é o nosso esforço, a desistência é o prêmio. A este só se chega quando se experimentou o poder de construir, e, apesar do gosto de poder, prefere-se a desistência. A desistência tem que ser uma escolha. Desistir é a escolha mais sagrada de uma vida. Desistir é o verdadeiro instante humano. E só esta, é a glória própria de minha condição.
A desistência é uma revelação".
A Paixão Segundo GH - Clarice Lispector
Coração
na boca:
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