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Sábado, Junho 23, 2007
Quantas vezes você me perguntou se isso era bom pra nós dois?
Eu nunca fui sincero na escolha do bairro.
Definitivamente você não me conhece.
...
Sim. Eu gosto de chocolate!
...
"Morrer não é tão fácil quanto parece".
P.S. longo: esse post bêbado foi escrito no fim da noite de sábado, depois de assistir pela enésima vez o dvd do filme "Minha vida sem mim", dirigido por Isabel Coixet, que está em cartaz nos cinemas com o também belo "A vida secreta das palavras". As três primeiras provocações são devaneios de outros tempos (efeito do tinto chileno que me acompanhou até a hora de dormir); o chocolate... bem, o chocolate foi em resposta a uma pergunta que alguém me fez na sexta à tarde, a última frase é dita no filme e lembra muito as últimas horas do meu sobrinho, enquanto agonizava, sem entender que estava indo, querendo continuar entre nós.
Sim, esse P.S. é quase um novo post. Já é noite de domingo e acabo de chegar do teatro onde vi embevecido "Gaivota - tema para um conto curto", inspiradíssima adaptação de Tchekhov, direção de Enrique Diaz. Sobre o trabalho (impactante e belo) falo depois. Por hora fica uma frase que me pegou em cheio e se repete no texto de Diaz no programa da peça (e, de alguma forma, tem tudo a ver com meus sentimentos de ontem e hoje): "como lidar com a própria ausência?".
Coração
na boca:
Quarta-feira, Junho 20, 2007
Diálogo impertinente
- Oi, tudo bom?
- Tudo... (riso tímido, quase sem graça)
- Sabe o que é: queria saber o que você tanto ouve no seu mp3...
- ... (quase espanto, totalmente sem graça)
- Peraí, explico: é que você almoça aqui na História (prédio de História da USP) quase todos os dias e depois fica ouvindo música e suas expressões são tão, tão...
- (ainda sem entender muito bem a situação)... pois é... dependendo do dia e do clima, as músicas variam. Muitas vezes alegres, mas a maioria das vezes musiquinhas melancólicas, coisas antigas, novas... misturo tudo.
- É... você é interessante: cabelo quase grisalho de professor, cara e all star (!!) de aluno, jeito meigo, mas cara de bravo...
- ... (?! Olhando pro chão, rosto vermelho)
- Ah, prazer, meu nome é ******* e adorei ter tido coragem de falar com você.
E sai de cena. Pro meu espanto total. Nunca tinha visto tal figura no prédio da História nem em qualquer outro departamento da USP onde eventualmente almoço ou faço um lanchinho... mas não é que gostei!?
Coração
na boca:
Sábado, Junho 16, 2007
E a generosidade?
Acordo num sábado pela manhã sem ressaca. Ótimo sinal. O dia tem um sol pálido, mas tem sol. Saio cedo. Afazeres. Volto pra casa ainda antes do almoço e começo a procurar ap pela internet. Pois é, pra quem não sabe sou de sagitário, como diz a Adriana Partimpim: "metade gente, metade cavalo". Mas não é disso que quero falar.
É que desde ontem tô sentindo um troço, no mínimo, estranho.
Sentimento agudo-quase-grave. Mas não é ruim. É uma consciência calma de que as coisas não mudam, no máximo, são trocadas de lugar. Talvez tenha sido o longa do Barcinski ("Não por Acaso") que, apesar das irregularidades, mexeu comigo. Ou talvez tenha sido os últimos dias, lá no trabalho.Há tempos venho tentando palavras que descrevam, pra mim, o que ocorre por lá, aliás por aqui também (ou seria em qualquer lugar?).
Uma explicação plausível pode ser a nossa falta de generosidade. Não sabemos comungar (num sentido bem amplo desse termo) com o mundo ao nosso redor. Temos, nos dias de hoje, uma urgência tão grande em "parecer" que esquecemos de "ser" (ok, todos já disseram isso, apenas reforço o senso comum, certo?). Mas a tal falta de generosidade dói mais quando envolve pessoas que já estão instaladas em nós, quando já fazem parte das nossas dobras.
...
Resolvi, depois de dois meses, reler "A Gaivota", do Tchekhov. Talvez para revisitar os personagens antes de assistir ao já elogiado trabalho do Enrique Dias lá no Sesc Pinheiros. Mas pode ser mais que isso. Os amores contrariados expressos naquela peça são tão atuais. Principalmente os amores-próprios contrariados.
Certo medo de mim no espelho do banheiro. O rosto está leve e calmo. Seria a tal serenidade que, dizem os sábios, mora lá dentro?
Coração
na boca:
Terça-feira, Junho 12, 2007
Balanço feliz do Dia dos Namorados (e sozinho)
Têm dias que você acorda sem querer conversar com ninguém. Ontem eu estava assim, depois do domingo-trôpego que, além de uma enorme dor de cabeça, me deixou uma ressaca moral como há muito não se via nestes lados de cá. Trata-se também de uma semana decisiva em minha vida. Em vários aspectos. O primeiro deles diz respeito apenas a mim. Os outros dois envolvem muitas outras pessoas. E como isso é difícil, né?
Bom, mas ontem e não hoje eu acordei assim. A terça, 12, amanheceu com sol e um não-frio surpreendente levando em conta as últimas semanas. Mas esqueci. Esqueci que celebram, justo hoje, o tal Dia dos Namorados. Eu vivo uma relação estranha (vivo?) que vez-em-quando eu amo e vez-em-quando eu detesto. É assim: não namoramos, mas adoramos ficar juntos sempre que podemos (e a distância física permite). Não nos cobramos, mas adoramos quando o telefone toca e a voz do outro lado é aquela afetuosa e doce como fruta-boa.
Aí no meio da tarde (uma tarde infernal no trabalho) recebo um e-mail, no mínimo, inusitado que, em poucas palavras, dizia mais ou menos o seguinte: "apesar de não termos nada oficialmente, lembrei de você e, num rasgo de romantismo, te comprei um presente". Foi o que bastou para que meu lado sentimental-demais (que anda embotado nos últimos tempos) aflorasse leve feito brisa. Dei um sorriso pra chefe-carrancuda que voltou de viagem com um mau-humor desgraçado, atendi a todos os telefonemas chatos de todos os fornecedores e prestadores de serviço chatos com mais serenidade e calma e até cantarolei Los Hermanos, como também há tempos não fazia...
Tá vendo? Simples assim. Não precisa jantar, velas, música romântica (tô quase um anti-romântico), presentes ou promessas de amor-eterno. Basta um: "lembrei de você" pro dia ficar menos chato e a vida ganhar um tom mais ameno. Não que hoje à noite não quisesse ter companhia, mas venho cada vez mais aprendendo que viver bem consigo mesmo é TÃO precioso e nem custa tudo isso que tanta gente pensa...
Coração
na boca:
Sábado, Junho 02, 2007
A waltz for a night
Let me sing you a waltz
Out of nowhere, out of my thoughts
Let me sing you a waltz
About this one night stand
You were for me that night
Everything I always dreamt of in life
But now you're gone
You are far gone
All the way to your island of rain
It was for you just a one night thing
But you were much more to me
Just so you know
I hear rumors about you
About all the bad things you do
But when we were together alone
You didn't seem like a player at all
I don't care what they say
I know what you meant for me that day
I just wanted another try
I just wanted another night
Even if it doesn't seem quite right
You meant for me much more
Than anyone I've met before
One single night with you little Jesse
Is worth a thousand with anybody
I have no bitterness, my sweet
I'll never forget this one night thing
Even tomorrow, another arms
My heart will stay yours until I die
Let me sing you a waltz
Out of nowhere, out of my blues
Let me sing you a waltz
About this lovely one night stand
(Julie Delpy)
P.S.: pq há dias em que até a "DR" faz falta.
Coração
na boca:
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