<%@LANGUAGE="JAVASCRIPT" CODEPAGE="1252"%> Perto do Coração Selvagem

Quinta-feira, Agosto 30, 2007


Menos açúcar e menos afeto, mas nem por isso infeliz...

Uma das minhas principais características sempre foi o romantismo. Quando criança, sonhava de olhos abertos com histórias fantásticas e tinha uma imaginação fértil ao extremo, a ponto de preocupar minha família com amigos imaginários e aventuras superlativas que só existiam no meu mundo.

Na adolescência passei pelo trauma de deixar a fazenda, o universo limitado de uma cidade do interior e mudar pra capital: nova rua, novo colégio, novos amigos.

Apaixonei-me perdidamente pela primeira vez aos 16 anos. Platonicamente. Mas era tudo tão perfeito (na minha cabeça) que isso (de amar sozinho) era só um detalhe. O tempo passou (na verdade, muito tempo passou) e a tal paixão platônica virou obsessão, quase doença.

Nessa fase, que eu chamo ultra-romântica, não me envolvia com ninguém de verdade, só com personagens idealizados por mim. As coisas evoluíram (?!), tive meu primeiro romance real (uia!) que, depois de ter cumprido seu ciclo, acabou. A partir daí veio outro e outro e outro. Relacionamentos com mais ou menos intensidade, nem por isso de menor importância.

Porém o romantismo (que motivou esse texto) nunca havia saído de cena. Eram sempre aquelas festas por dentro cada vez que eu me apaixonava. Rituais que culminavam em pequenas epifanias, marcando cada uma das minhas histórias.

Isso até bem pouco tempo. Hoje, com trinta e tais, percebo que estou cada vez menos paciente para começos, meios e fins.

Se antes era capaz de palavras, frases, parágrafos inteiros para descrever sensações de plenitude (e desilusão) ao compartilhar minha vida com alguém, atualmente fico feliz em pensar que meu aconchego, minha casca-protetora não está fora, não é prerrogativa de outra pessoa. Percebo a cada dia que não preciso necessariamente de outro personagem pra continuar esse enredo. Afinal, ele é meu.

Às vezes o par não vem (e parece que estamos sempre à espera de ser dois, não é mesmo?) e você tem que buscar a tal felicidade sozinho (contrariando a canção)... da melhor forma possível, sem fazer dos períodos de solidão um drama sem fim. Na maioria dos casos a tal sorte do amor tranqüilo (com-sabor-de-fruta-mordida) surge quando menos se espera...

Coração na boca:

Quinta-feira, Agosto 16, 2007




Tudo que se precisa vez-em-quando é de um curso-intensivo tipo: “Ensina-me a Viver“.

Coração na boca:

Sábado, Agosto 11, 2007


Dueto

Chico Buarque

Consta nos astros, nos signos, nos búzios
Eu li num anúncio, eu vi no espelho, tá lá no
evangelho, garantem os orixás
Serás o meu amor, serás a minha paz
Consta nos autos, nas bulas, nos dogmas
Eu fiz uma tese, eu li num tratado, está computado nos
dados oficiais
Serás o meu amor, serás a minha paz
Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário
nos contrariar
Mas se o destino insistir em nos separar
Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas
Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas,
projetos
Profetas, sinopses, espelhos, conselhos
Se dane o evangelho e todos os orixás
Serás o meu amor, serás, amor, a minha paz
Consta na pauta, no Karma, na carne, passou na novela
Está no seguro, pixaram no muro, mandei fazer um
cartaz
Serás o meu amor, serás a minha paz
Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário
nos contrariar
Mas se o destino insistir em nos separar
Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas
Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas,
projetos
Profetas, sinopses, espelhos, conselhos
Se dane o evangelho e todos os orixás
Serás o meu amor, serás, amor, a minha paz
Consta nos mapas, nos lábios, nos lápis
Consta nos Ovnis, no Pravda, na Vodca

P.S.: pq tem dias que bate saudade. Da voz no ouvido, do violão. Saudade daquele adeus não dito. Lembra? Você e eu... lá... era o alto, a caixa-d'água, o sol indo embora na lagoa. Cúmplices, em dueto. Eu imaginava que seria pra sempre seu. E sou. Leio nossos horóscopos todos os dias. Prevejo, antevejo e beijo as cartas.

"Serás o meu amor... serás a minha paz..."

Coração na boca:

 

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