<%@LANGUAGE="JAVASCRIPT" CODEPAGE="1252"%> Perto do Coração Selvagem

Segunda-feira, Setembro 24, 2007


Alice

Pensou que seria rápido e sem sangue. Pensou que ia ser apenas um machucado, com direito a roxo no final. Pensou que não sofreria tanto. Mas só pensou. Ensaiou duas vezes o discurso. Diria assim: quero-de-novo-acordar-com-um-compromisso. Mas esqueceu pra quem deveria repetir isso tantas e tantas vezes até que bastasse. Tinha medo de acordar de novo com aquela sensação desesperada de erro e acerto e erro de novo. Queria geléia de goiaba com queijo. E não mais ouvir a mãe chorando ao telefone. Queria ficar com ela mais tempo, viver mais perto o quanto antes. Mas não gosta de sol. Tem medo de ficar só pra sempre, mesmo lembrando que o tal pra-sempre-também-acaba. Hoje já é primavera. Mas ela não veio.

P.S. Importante:

Aí Alice encontra o gato:

"- O senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui?"

E ele:

"- Isso depende muito para onde você quer ir."

Coração na boca:

Quinta-feira, Setembro 20, 2007



Astrud Gilberto e Tom Jobim... puro encantamento


Desafinado
Antonio Carlos Jobim/Newton Mendonça
(1958)

Quando eu vou cantar você não deixa
E sempre vem a mesma queixa
Diz que eu desafino, que eu não sei cantar
Você é tão bonita
Mas toda beleza
Também pode se acabar

Se você disser que eu desafino amor
Saiba que isso em mim provoca imensa dor
Só privilegiados têm ouvido igual ao seu
Eu possuo apenas o que Deus me deu
Se você insiste em classificar
Meu comportamento de antimusical
Eu, mesmo mentindo devo argumentar
Que isto é bossa nova
Que isto é muito natural
O que você não sabe, nem sequer pressente
É que os desafinados também têm um coração
Fotografei você na minha Rolleiflex
Revelou-se a sua enorme ingratidão

Só não poderá falar assim do meu amor
Este é o maior que você pode encontrar, viu...
Você com a sua música esqueceu o principal
Que no peito dos desafinados
No fundo do peito bate calado
Que no peito dos desafinados
Também bate um coração

Coração na boca:

Domingo, Setembro 16, 2007


E a inspiração? (ou melhor: eu preciso dizer que ainda te amo)

Domingo é um dia atípico por natureza (ou seria típico?): pode ser alegre ou triste, dependendo do que aconteceu no sábado ou do que está programado para segunda. Apesar de um trabalho chato que tenho para terminar ainda hoje (detesto prazos), não sinto a menor inspiração.

E aí, o que fazer quando seu ganha-pão é escrever (da forma mais criativa possível) e a "coisa" simplesmente não vem? Devia ter terminado a chatice ontem, mas acabei caindo na balada (como fiz na sexta) e chegando em casa às 8h da manhã.

Acordo tarde, vem o almoço, aí no restaurante esbarro com amigos, a conversa fica gostosa... e vou ficando. Na volta, parada obrigatória (?) na banca de jornal. Me farto de revistas interessantes. Leio, leio, leio... e nada da tal inspiração pintar.

Até que resolvo dar um basta na preguiça, sentar e escrever. Mas bateu a vontade de compartilhar essa mini-crise de fim de domingo com quem passa por aqui. E mais uma vez acabo adiando a conclusão do trabalho em nome desse post. É que tô cansado de deixar as coisas que eu julgo realmente importantes para depois.

Depois pode não dar mais tempo de dizer "desculpe, não quis magoar você". Pode ficar difícil um: "tô com saudades, pois me dei conta que você foi uma das pessoas mais importantes com quem já dividi meu dia, minha cama, aquele pedaço gostoso da minha vida". Pode ser que depois fique tarde para quebrar o gelo e voltar a mandar e-mails dizendo "olá, como vai?" que seria o ensaio para um corajoso: "sinto sua falta".

Bem, chega de papo. Não posso me concentrar em ficção, quando a vida real me espera bem aqui, com um prazo quase estourado para cumprir! E sonho, definitivamente, não preenche o vazio da vida de ninguém.

Coração na boca:

Sexta-feira, Setembro 14, 2007


O certo, o errado e o que eu não quero

Já tive embates de todo tipo comigo mesmo. Desde os primeiros, em que me confrontava com as fraquezas (meus medos e meus vícios) até os últimos que ainda se relacionam a fraquezas, mas ganham cada vez mais honestidade de mim para comigo.

Tudo isso pra dizer que, a essa altura da vida, tenho visto claramente o que me parece certo e errado (pelo menos sob meu ponto de vista) e mesmo assim continuo tomando atitudes que me entristecem. Não suporto mais ficar buscando desculpas para cada ato falho, para cada pecado ("pecadinhos, que de tão pequenininhos não fazem mal a ninguém"), para cada incongruência...

Certo, ninguém é perfeito. Mas precisamos cometer sempre os mesmos erros?

Desde a última semana tenho me concentrado numa tentativa: apesar de ainda não saber o que de fato quero, vou procurar definir o que eu não quero.

É claro que vou dar muito "murro-em-ponta-de-faca", acordar de manhã prometendo: "hoje-vai-ser-diferente" (e fazer tudo de novo), mas estou determinado a esse compromisso: ser fiel aos meus princípios mais que aos meus instintos, me proteger e, com isso, procurar o máximo de conforto possível para o que chamam de alma e que eu prefiro tratar como consciência.

Não existe certo, errado ou meio-termo... só existe respeito a si mesmo! Sempre!

Coração na boca:

Quarta-feira, Setembro 05, 2007


Os dias seguem sem novidades. Reunião com Mr. Darcy, releitura das Cartas Portuguesas, ritmo cardíaco acelerado (sem qualquer explicação plausível)... uma tempestade no meio da tarde de segunda.

Árvores circundam o prédio antigo nesse parque de incongruências. Não vou reclamar.
Pela primeira vez na vida não vou reclamar.


Receitas de sorvetes para os dias quentes pululam na minha nova paixão: os blogs culinários. Não. Melhor investir a criatividade nas saladas. Acréscimo de dez quilos em cinco meses. É hormonal, Dra.? - Não dear, é emocional mesmo. E nem vai adiantar eu pedir para você parar de comer.

Já se perguntou porque anda assim? (Assim como?) Sem maiores vontades...

Diálogo estranho com a endocrinologista-quase-psicóloga. Pelo menos as taxas estão todas normais. Ainda não se mede humor em laboratório. Ainda não se mede ansiedade, desejo de outros mundos. Deve ser por isso que esse tipo de doença não tem cura nunca.

Ouço uma música linda e triste repetidas vezes. Penso na cara do Mr. Darcy durante a reunião na agência. Tão orgulhoso, tão cheio de clichês e frases feitas. Depois ainda perguntou se queríamos café. Pode?

No elevador, com a amiga-quase-chefe:

-Só tomo café com quem simpatizo.
-Então você toma café raríssimas vezes.

(rsrsrs)


Não é bem assim. Tiro da bolsa o livrinho-fino das Cartas Portuguesas no ônibus. Uma senhora, 70 e tais, bem-vestida (os ônibus do meu bairro,impressionante, estão cheios de gente bem-vestida), ar um-quê-fidalgo:

-Ahh, Mariana Alcoforado...
-Dizem que isso é lenda, né? Que foi um homem quem escreveu.
-Impossível. Só mulher sofre desse jeito.


Ela desceu no ponto seguinte e, de novo, lembrei do cliente-Mr. Darcy... cara de sofrido, falando sem parar da namorada-que-mora-na-Vila Madalena para explicar um case... acho que ele bem poderia escrever as Cartas Paulistanas se fosse deixado por ela, tamanha paixão com que falava.

Volto ao livro, ao ônibus, ao universo comum dos sentimentos mínimos-importantes: fome perto do almoço, tristeza pela lembrança ruim que a data desperta, vontade de comprar o tênis que acena da vitrine na Augusta...

Coração na boca:

 

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