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Sexta-feira, Outubro 26, 2007
“...Nunca mais romance
Nunca mais cinema
Nunca mais drinque no dancing
Nunca mais cheese
Nunca uma espelunca
Uma rosa nunca
Nunca mais feliz.”
A História de Lily Braun, Edu Lobo e Chico Buarque
Sempre me fascinou a forma como Chico e Edu deram vida aos personagens do poema O Grande Circo Místico, de Jorge de Lima, para trilha homônima de um espetáculo do Balé Teatro Guaíra, no início dos anos 80. Cada canção encerra uma trama, formando uma das narrativas mais felizes da arte contemporânea brasileira, que reuniu poesia, dança, dramaturgia e vida, conquistando milhares de fãs aqui e no além-mar.
Mas não é sobre essa obra-prima que quero falar. É sobre os últimos dias, típicos de Lily Braun. Chove em São Paulo. As árvores no entorno do parque cedem pequenas flores roxas e amarelas ao chão de terra preta. O tapete que se forma é de arrepiar.
Dias estranhos os últimos dias. De tropeço e de preguiça. Em dias assim, não adianta traçar grandes planos, desejar outros destinos, pensar em amor. São dias de pura reflexão. Não têm dor nem agonia, não têm sofrimento. São dias de-ver-passar-o-dia, mas sem esperar muito dele.
Lily, ouça o que digo: aprender a dizer não pode ser o começo da nossa alegria.
Coração
na boca:
Segunda-feira, Outubro 15, 2007
A Juli me passou a "correntinha literária", e como eu também gostei da proposta, tratei de seguir as instruções. No fim, o resultado:
1ª) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2ª) Abrir na página 161;
3ª) Procurar a 5ª frase completa;
4ª) Postar essa frase em seu blog;
5ª) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6ª) Repassar para outros 5 blogs.
"Gostaria de saber a história, eu disse, implorando".
(Minha Querida Sputnik, Haruki Murakami)
Eu mandei para os seguintes amantes de livros, como eu: Tita, Lemu, Gabs, Fao e Carol.
Coração
na boca:
Sexta-feira, Outubro 05, 2007
Em certas coisas eu nunca penso. Outras me tomam de assalto, quando menos espero. E se... detesto quando o devaneio começa assim. Mas já havia se instalado. O desejo de saber o que teria acontecido se... eu não tivesse largado a Medicina, por exemplo. Estaria com mais grana? Estaria mais feliz? O vento que entra pela janela aberta do ônibus me faz olhar a paisagem paulistana, rio fedido, prédios, prédios e prédios (o verdadeiro mar de concreto, como já disseram alguns) e aquele céu num tom completamente ausente de sentido (sim, porque até o cinza faz sentido, mas há dias em que o céu de São Paulo assume uma não-cor).
Voltei à realidade. Lembrei que não era médico por opção. Eu quis assim. Ser jornalista, escrever para viver, dar aulas, me apaixonar por cada projeto novo que surge foram alguns dos motivos da virada. Eu queria ser menos sério aos 20 e caí no mundo. Liberdade. Mas, e agora? E se... eu largar tudo de novo e empreender outros desejos antigos: viajar pelo mundo sem eira ou beira, tentar um novo amor, um novo começo pra minha história.
O ônibus pára. Tenho a sensação de quem está parado sou eu. Desço no meio da Augusta. Vou continuar meu caminho a pé. Vou em outra direção, entro numa loja, esbarro numa calça linda, com cara de velha. Compro. Largar sempre o que começo é tudo que faço, desde a primeira faculdade. Mas a vida é assim mesmo, penso quase alto. E quem fica parado é poste. Vou mudar de ap em uma semana. De bairro, de trajetos, de paisagens. Essa é também uma forma de experimentar a tal da liberdade. Nunca achar que é pra sempre. Aliás, jamais dizer NUNCA. Hoje mesmo me apaixonei na rua umas três vezes... (rsrsrs)... e aí percebo que sou mesmo assim: alguém que precisa arriscar, sorrir, chorar, ficar triste um dia e alegre outro.
Tudo pra continuar humano.
Coração
na boca:
Terça-feira, Outubro 02, 2007
"Gosto muito de te ver (...)
(...)
Gosto muito de você (...)
Para desentristecer (...)
O meu coração tão só
Basta eu encontrar você (...)
(...)
Arrastando o meu olhar como um ímã
(...)
(...)
Gosto de te ver ao sol (...)
De te ver entrar no mar
(...)
(...)
(...)
De estar perto de você e entrar numa"
É assim que tô cantando O Leãozinho do Caetano, hoje. Comendo palavras e versos inteiros, deixando só o que me apetece. Ando fazendo isso com as coisas, cada vez mais freqüentemente. Eclipsando (será que existe essa palavra?) parte daquilo que não quero ver, ler, sentir, tocar. Os astros falam em contradição em todos os horóscopos que tenho lido.
Hoje não tô ligando para o que dizem os astros. Tô com saudade, só isso. Aquilo que vai tomando conta da gente sem alarde, mas com força. Senti o cheiro desde cedo, ao acordar. E prometi a mim mesmo trocar a fronha (mesmo limpa) do travesseiro, assim que chegar em casa. Eu sei. Você nunca deitou nessa cama atual, nem usou a tal fronha ou o travesseiro.
Mas o sonho deve ter passado dos olhos fechados pro tecido, impregnando ele de você. E não quero que você volte hoje novamente. Não quero que chegue devagar, enquanto durmo. Quase sinto sua mão acariciando “minha pele ao léu”. Por isso não quero você nos meus sonhos. Acaba saindo da madrugada, ganhando o dia. Toma conta do meu pensamento e das minhas ações, escolhe até as músicas que vou ouvir como que por telepatia.
E você nem pensa mais em mim, eu sei. Não lembra das tantas risadas e de alguma lágrima. Da rima, da língua, do pedaço de queijo brie com geléia de amora que adoçava tardes de sábado. Não lembra da última tentativa que fiz de reter você em mim, prometendo que mudaria. Sim, eu mudaria em seu nome.
A verdade é que nunca tivemos o tempo do adeus. Talvez por isso você volte nesses sonhos.
Coração
na boca:
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