<%@LANGUAGE="JAVASCRIPT" CODEPAGE="1252"%> Perto do Coração Selvagem

Segunda-feira, Dezembro 31, 2007


Quando tudo faz lembrar. Quando tudo faz ficar. Aí vem a sensação de que os caminhos não se cruzam ou entrecruzam por acaso. Te disse que a fantasia entre nós se rompeu. Outras fantasias entre nós se farão. E é disso que é feita a vida. De eternos retornos.

Último dia de 2007, um ano de muitas dores e alguns amores. O que fica é a vontade de amanhecer junto com o sol de manhã. Renascer com um desejo novo e nenhum peso no peito. Estou em São José do Rio Preto, noroeste do Estado de São Paulo. Reconheço a casa, o banheiro, o cheiro, a comida japonesa feita por sua mãe e agradeço a enorme paciência comigo.

Juntos há dez anos, mas sempre tão separados. Dessa vez estamos acertando a mão na tal abertura de sentimentos pro mundo, pra vida. Não, não, nossa história não terminou (seja ao som do piano ou do violão). Ela se refaz, como cada ano, um após o outro.

Como 2007 acaba para dar lugar a 2008, um ano cabalístico para mim. O ano dos 40, o ano dos 10. Um ano que promete ser de recomeços, amores lançados (de outras bases) para espaços siderais. Adoro a idéia de saturno ter anéis, de termos iniciado a vida no fundo dos oceanos. Adoro acordar de noite com medo e sentir que você está ao lado. No escuro e vendo.

Não sei, amigos queridos, o que nos espera dobrando a esquina do tempo. Espero que seja mais aceitação, mais paz por dentro, mais amor para os olhos, corpo e alma. Não quero hoje fazer balanços ou planos. Quero continuar tentando. Quero não ter medo de gritar quando sentir vontade, de beijar quando tiver desejo, de desistir quando tudo mais já não valer a pena. Como diz a musa desse blog, desistir é também uma forma de começar tudo de novo.

Que venha 2008... vou deixar a porta aberta!

Coração na boca:

Terça-feira, Dezembro 18, 2007


Acabou Chorare

Quando você me deixou e disse pra eu ser feliz, quase acreditei que seria. Desde então presumo que você fala pra todo mundo que me conhece. Que sabe de cor todas as minhas dobras, esquinas, meu subtexto, centro e periferia. Mas não se engane, baby.

Nos conhecemos desde quando? Desde sempre? Desde o começo? Parece que sim. Sempre que abro uma velha caixa esquecida de fotografias, estamos ali, colados, flagrados em harmonia, loucos para que a vida não separe, para que o gosto nunca mude ou a vontade de um pelo outro sempre prevaleça.

Só que a vida veio e levou quase tudo que havia entre nós. A confiança mútua, o respeito pelas lágrimas secretas vertidas na solidão dos travesseiros ou até a risada escandalosa no meio do mundo, que muito incomodava, depois das tantas cervejas.

Reforço que o rompimento não foi seco, rápido e indolor. Começou lá, bem no tempo em que a gente ainda acreditava num "pra sempre". Mas tudo acaba, como já disseram. A alegria, a tristeza, a saudade, os desejos.

Tudo isso vai embora. Assim como você fez quando nos deixou para trás em busca de outros sentidos. Tem dias em que até eu sinto. Mas é pra dentro, embotado, como se fizesse um bordado invisível aos olhos alheios.

Hoje você escreveu apenas uma linha. Lá no distante. Lá no exílio. E lembrou apenas de maldizer nossos dias. Sua generosidade se foi, como folha morta na ventania. Esqueceu de nós pacificados, plenos, abertos diante daquele mar imenso de possibilidades.

Não voltarei a ler a tal única frase. Palavra corta feito navalha. A sua tirou sangue, estancou meu riso que ficou suspenso, assombrado nos lábios. O pouco que havia talvez agora já não diga mais nada.

Coração na boca:

Quinta-feira, Dezembro 13, 2007




Ok, quem me conhece sabe, adoro um drama. Nessas horas sou superlativo, exagerado mesmo. Mas desde ontem, quando comecei a ler Julie & Julia, livro baseado no blog em que Julie Powell conta as peripécias de experimentar 524 receitas, em 365 dias, numa cozinha apertada de Nova York, tenho achado meu melodrama coisa de amador.

A leitura é deliciosa e o livro eu conheci após ler uma crítica simpática, muito bem escrita pela Nina Horta (que eu amo de paixão e respeito muitíssimo). Pois bem, a autora se dedicou durante um ano inteiro a desvendar os mistérios de um clássico da cozinha norte-americana Mastering the Art of French Cooking, de Julia Child, espécie de Ofélia dos gringos, que também mantinha programas culinários emblemáticos da TV.

Como se não bastasse tudo isso, Julie permeia a saga gastronômica com histórias pessoais (bem ao gosto dos blogueiros), o que confere à narrativa um ar confessional que muito me agrada. Foi num desses rasgados desabafos que me identifiquei totalmente com suas frustrações diante do mundo (só que, no seu caso, aos 29 anos de idade).

A moça chega à conclusão que tudo que fez contraria o curso natural de vida da maioria das pessoas e começa a enumerar o que seria normal fazer entre os 20 e 30 anos. Não preciso dizer que fiz o mesmo em relação a mim e eis aqui a reflexão completa:

Aos 20 e poucos anos deveria ter terminado o curso médico, entrado numa residência respeitada e começado a clinicar em seguida, me transformando em competente profissional da área de saúde entre os 30 e 40. Em vez disso, larguei o curso, mudei para São Paulo e entrei na faculdade de Jornalismo (essa, pelo menos, terminei)... não satisfeito, troquei várias vezes de cidade, fui sócio da minha mãe numa loja de roupas, professor universitário... até voltar a ficar insatisfeito e partir pro mundo novamente, recomeçando tudo aos 30 e poucos.

Agora, pertinho de completar 40 anos, sou o mesmo lost boy de outrora, mergulhado em crises existenciais, num trabalho (temporário – aleluia) chato e cercado por pessoas que mal entendem o que falo (e pq falo). Louco para uma nova fuga estratégica para outra dimensão (feito um personagem do Murakami), mas ainda assim acreditando. E sabe qual a lição que tiro de tudo isso? Como numa receita tradicional francesa, o que vale nessa vida é escolher bem os melhores ingredientes, seguir o modo de fazer de maneira inequívoca, mas nunca esquecer de ousar no toque pessoal. O melhor alimento para a alma é aquele cozido em fogo lento, regado com certo mistério e, acima de tudo, degustado como se feito pelos deuses.

Coração na boca:

Quarta-feira, Dezembro 12, 2007


Ontem, primeiro dia de idade nova, meu mundo caiu. Sabe quando acontece uma sucessão de pequenos incidentes, que vão ganhando dimensão de tragédia pessoal quando alinhados pelo pensamento angustiado? Pois é... e ainda escrevi um post imenso que o blogger engoliu. Mas nada como um dia atrás do outro. Hoje começo a analisar que, se não tomei decisões drásticas no calor dos acontecimentos, vou tomá-las a frio. Ninguém vai me acusar de cabeça-quente, intempestivo ou qualquer outro (des)qualificativo que o valha. Mas o que fica é uma enorme sensação de desconhecimento diante da vida. E assim vamos levando...

Coração na boca:

Sábado, Dezembro 08, 2007


"Faça fazer sentido"

Hoje acordei com vontade de chorar baixinho, ouvindo música velha e esquecendo o tempo. Memória de imagens bonitas e corriqueiras, daquelas pequeninas, que não valem um solo de guitarra. Não tenho a facilidade de antes para escrever aqui ou em qualquer lugar. Ando, como sempre, vivendo um tempo de bagunça organizada, onde os fatos se sucedem sem muita lógica ou razão de ser. Apenas um dia após o outro e algumas emoções no meio deles. Mas o inferno astral está acabando. Aniversário e virada de ano se aproximam. Quero de volta minha felicidade clandestina.

Coração na boca:

 

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