<%@LANGUAGE="JAVASCRIPT" CODEPAGE="1252"%> Perto do Coração Selvagem

Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008




Se Annie Hall e Alvy Singer existissem na vida real seriam os meus melhores amigos (rsrsrs). Exagero à parte, devo confessar que essa comédia romântica (sim, é desse jeito que classifico esse, que é um dos filmes da minha vida, até porque ADORO comédias românticas e não me importo nem um pouco pra quem torce o nariz pro gênero) passou a fazer parte de mim, desde os anos 80, quando assisti pela primeira vez.

Desde então, Diane Keaton virou minha musa de qualquer estação e, sempre que posso, revejo entre risos e lágrimas esse clássico de Nova York, com seu cinza e seu charme, seu jazz e sua bossa tão característicos. Foi o que aconteceu ontem, domingo chuvoso em Sampa. Zapeava a TV em busca de um sopro de vida e eis que surgem Annie e Alvy prontos a me resgatar do limbo.

Não sei dizer exatamente o que tanto me encanta nesse filme. Acho, por exemplo, Manhattan, do mesmo diretor, estupendo. Mas nada se compara à graça indiscreta de Annie. Suas trapalhadas e suas tentativas de felicidade em meio à neurose contemporânea. Minha identificação com ela é tamanha, que chego a temer por meus relacionamentos (rsrsrs). Afinal, o que está ruim sempre pode ficar pior, não é mesmo?

O que mais me delicia em Annie Hall, no entanto, é a sua atualidade. Tudo que o casal de protagonistas aborda durante o filme é tão presente em nossas vidas, como há 30 anos. Vejo o filme e reconheço nele todas as minhas paranóias, a eterna desconfiança em relação ao afeto do outro, a pouca credibilidade em si mesmo diante de situação banais, corriqueiras. Por tudo isso, sempre vou amar assistir de novo e sempre as agruras de Annie e Alvy, encontrando ali a humanidade necessária para continuar acreditando sempre, mesmo desconfiando tanto.

Coração na boca:

Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008




“Qual é mesmo a palavra secreta?”

Clarice escrevia para entender. Ela precisava se expressar através das palavras para não enlouquecer de vez.

Descobri que às vezes é preciso dizer adeus para finalizar uma história (de amor?). Digo isso porque me ressinto até hoje com uma não-despedida.

Era tarde, era abril, chovia? Já não sei. A memória me trai o tempo todo. São Paulo é cinza quase o ano inteiro, portanto, vamos esquecer o calendário.

De uma lembrança ancestral, porém, nunca me livrei: o medo do escuro. Por isso penso que chorei o suficiente na infância, antes do sono, no escuro do quarto.

Nessas horas qualquer alegria ficava triste. Ainda sinto isso. Quando algo como a felicidade me ronda e eu não consigo alcançar. Desejos apressados (quase raros).

(...)

Não devemos dar margem aos devaneios. É que ando solto e frágil feito papel em ventania. Não tenho porto, parada, não tenho ânimo.

Estou quase um verso soprado.

Já não imagino "dois" como antes. Desde aquele abril, agosto ou será que foi um dezembro? Sem paciência para escrever, desencano das possibilidades de entendimento.

Prefiro concentrar minhas forças na perdição, transformando em parceiro o velho medo do escuro, renovando por dentro os votos de que não preciso mais de nós.

Nem do adeus para chegar ao fim da história.

P.S.: a imagem de Clarice escrevendo me deixou mudo (numa felicidade clandestina).

Coração na boca:

 

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