<%@LANGUAGE="JAVASCRIPT" CODEPAGE="1252"%> Perto do Coração Selvagem

Quarta-feira, Março 26, 2008




É assim: dois personagens sem nome são unidos ao acaso pela música e pela solidão. Estamos em Dublin. Faz frio. Ele vem de uma desilusão amorosa, ela de um casamento infeliz. Ambos fazem parte de uma Europa que não estamos habituados a ver nos filmes comerciais ou cartões postais. A história dos dois teria tudo pra ser de amor. E é. Mas não o amor esperado. Talvez o olhar perdido da personagem, captado no final pela câmera, seja indicial desse fragmento de discurso amoroso que, de tão único, nos deixa irremediavelmente tocados.

*O filme em questão chama-se ONCE, uma fita "independente" da Irlanda que ganhou o oscar de melhor canção esse ano. As canções, inclusive, dispensam comentários. Baixem já, eu garanto!

P.S.: queridos amigos que por aqui passam vez-em-quando, vocês já tiveram encontros assim? Já se apaixonaram por alguém que sequer tocou? Já perguntou como se diz: -eu te amo- em tcheco? Já recebeu como possível resposta um -eu te amo também- mesmo não entendendo o que isso significa? Pois bem, eu já. Me vi dedicado por inteiro a um amor assim, cheio de cuidados. Mas nem por isso concretizado. Tristes os que não têm histórias para lembrar, dos que não têm um passado. Viver um amor (e até suas possíveis cicatrizes) acaba por dar mais sentido a todo esse mistério. Mesmo entre os que não costumam ser fiéis aos acontecimentos biográficos.

Coração na boca:

Sábado, Março 22, 2008


Mudança dos Ventos

O que dizer agora? Você vem, pinta e borda comigo, me revista, me excita... o seu cheiro impregnou meus lençóis, isso sim. E é assim, Takai cantando Nara, eu sonhando com outros tempos. Vai... do jeito que imagino, me tira essa vergonha, me mostre, me exponha. Me tira uns 20 anos? Nossos abraços. Talvez seja apenas isso. A memória do beijo. O aconchego de há pouco. Queria parar o mundo. E trazer você de volta... trazer você pra perto. Deixa eu causar inveja? Deixa eu causar remorsos? Nos seus, nos meus, nos nossos...

Coração na boca:

Quarta-feira, Março 19, 2008


Julie Delpy tem a minha idade. E as coincidências entre nós dois param por aí. Mas ontem, como diretora e atriz (do belo Dois Dias em Paris), ela deu o recado que eu queria nos minutos finais do seu filme. Em off, resumia a discussão que estava tendo com seu companheiro (o ótimo Adam Goldberg). Entre muitas frases simples, mas precisas, ela dispara:

- "Sempre me surpreendo como duas pessoas passam,
de uma hora para outra, do amor incondicional pro vazio absoluto".


Não namoro oficialmente desde meados de 2005 (e foi por período curtíssimo, apesar de intenso). Antes disso, tive uma história que mesclou clichês-românticos, momentos de rara poesia e certa dor (quase escrevi a palavra mágoa, ato-falho).

Desde então vivo histórias mais ou menos fugazes. Pessoas que passaram a ser importantes (outras nem tanto), corpos quase-anônimos, beijos roubados, rubor de faces nas estações de metrô... no meio de tudo isso, há dois anos, pintou uma "relação aberta" (na medida do impossível), com alguém que conheço desde 1998 (putz, dez anos).

Tudo isso nem chega perto de resumir minha confusa-vida-sentimental. Tenho arroubos de saudade, misturo cenas e personagens, sou puro simulacro. E ainda tem a vida real: prática, cotidiana, que exige lucidez, serenidade, MATURIDADE.

E assim caminha nossa frágil humanidade. Sim, por que a vida nada mais é que essa sucessão de perguntas sem resposta, de emoções desencontradas, de momentos felizes e outros nem tanto. Tudo com seu devido princípio e fim. E como eu sempre digo: os finais são sempre desiguais.

Coração na boca:

Segunda-feira, Março 17, 2008


O sol cedeu lugar à chuva. Tudo cinza e frio. Mas isso bem que me agrada. Depois de uma viagem rápida a Rio Preto (sim, de avião, para desespero pessoal), estou de volta à rotina. Um fim de semana fora de Sampa nos faz perceber outros tons no céu. Isso é bom.

...

Fico me perguntando agora o que quero, de fato, da vida? Estabilidade? Fortes emoções? Respostas francas? Evasivas? Sei que sou sim, cheio de subterfúgios... mas uma hora cansa. Não seria mais fácil definir papéis? Cumprir certo roteiro? Pensar num final feliz?

...

Você diz que sou romântico. Eu me acho cada vez mais dissimulado em matéria de amor!

Coração na boca:

Segunda-feira, Março 10, 2008


Fazer filme, fazer cena. Te ligo de madrugada, desligo, volto a ligar.

Corta.

Março chegou ensolarado e eu só penso em contar tatuagens. Na altura das costas umedeço os lábios e beijo meu desejo, geografia íntima descrita pelo toque dos dedos.

Um, dois, três passos. Limites de um continente inteiro refletem na retina. Tuas pernas, teus braços coloridos com simbólicas aquarelas.

E tudo que eu quero agora é ar refrigerado e trem bala sobre as avenidas lotadas de carros e gente.

Tirando a roupa, lentamente, abrimos a janela pro mundo, pra rua, pros outros.

De que forma nos aproximamos mais e mais dos começos?


Digressão.


Podia ser outro, o corpo. Mas era o teu.

Solidão por falta de cuidado.

Nem sente culpa por nos fazer infelizes assim.

Coração na boca:

 

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