<%@LANGUAGE="JAVASCRIPT" CODEPAGE="1252"%> Perto do Coração Selvagem

Quarta-feira, Setembro 24, 2008


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Não me perturbe com falsos pudores. Prefiro o galanteio barato que vem junto com o ar blasé de quem se habitua a um vício. Não me culpo mais pelas incertezas. Hoje acordei cedo e fiz um chá. Depois inventei um conto sem palavras, todo bordado na minha imaginação. Apaga o cigarro? Tô ficando chato com a maturidade. Confundo nomes, esqueço chaves. Me engano fácil com algumas delicadezas. Só algumas.

Essa noite sonhei que tudo estava diferente. Que a janela havia sido consertada, que as paredes do estúdio estavam pintadas de branco como num toque de mágica. Mas acordei com um frio de sete graus e a tampa da privada levantada. Você sabe me irritar. Assim como sabe fazer aquela omelete única com queijo barato derretido e um quê de cebolinha picada bem fininha.

Quero voltar a dormir a noite inteira, sem precisar dos comprimidos que me oprimem o corpo todo no dia seguinte. Queria esquecer que existe uma garrafa de gim atrás da estante, onde escondo tantos outros pequenos segredos: uma xícara antiga com a asa quebrada, nosso retrato rasgado num momento de fúria e até algumas lágrimas que saíam dos olhos direto para as páginas de certos livros.

Não quero mais lembrar de você. Não quero nunca mais saber de nós dois.

Coração na boca:

Segunda-feira, Setembro 22, 2008


O que eu preciso agora é voltar ao estado da paixão. É reinventar uma maneira de seguir em frente desafiado, sem temor, apenas com a vontade de chegar ao outro lado. Tenho necessidade de tirar os pés do chão vez em quando. Olhar de frente para o que não conheço e cumprimentar – muito prazer!

Mas esqueço dos tropeços da Alice e saio correndo a cada passo largo do coelho. Noites de beijos, de sombras, de bilhetes amassados com nomes e telefones de quem sequer lembro a expressão dos olhos. Eu até quero a vertigem. Mas ainda sonho com uma vida mais calma, sem tantas máscaras diárias e sofrimentos desnecessários. Não suporto mais acordar com raiva de mim.

Hoje resolvi lavar roupa. Toda a roupa suja que havia acumulado nos últimos dias. Moro num quarto tão pequeno que ele parece desarrumado o tempo todo. Já não gosto mais de ficar esperando o próximo trem. Preciso voltar a ter foco. A acreditar em mim, sem necessariamente ancorar meus navios em portos alheios.

Estou farto das muitas palavras e da pouca ação!

Coração na boca:

Sexta-feira, Setembro 19, 2008




Pressentimento

(Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho)

Ai ardido peito
quem irá entender o seu segredo
quem irá pousar em teu destino
e depois morrer de teu amor
ai mas quem virá
me pergunto a toda hora
e a resposta é o silêncio
que atravessa a madrugada
vem meu novo amor
vou deixar a casa aberta
já escuto os teus passos
procurando o meu abrigo
vem que o sol raiou
os jardins estão florindo
tudo faz pressentimento
que este é o tempo ansiado
de se ter felicidade...

P.S.: às vezes precisamos ouvir certas canções. Nesse caso específico, retomá-las. "Você não é um rio cheio que eu não possa atravessar!"

Coração na boca:

 

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